Pesquisa da Fecomércio-CE e Corecon-CE revela otimismo em relação ao PIB e oferta de crédito, mas forte pessimismo com juros, inflação e salários reais
Apenas duas variáveis econômicas foram analisadas com otimismo durante o período entre julho-agosto de 2026, de acordo com a pesquisa intitulada Índice de Expectativas dos Especialistas em Economia (IEE), que colheu as projeções de 102 economistas.
Os indicadores que mostraram otimismo no mês: evolução do PIB e oferta de crédito. Apenas duas variáveis permaneceram indiferentes: cenário internacional e oferta de emprego.
Por outro lado, o total de variáveis percebidas como pessimismo permaneceu o mesmo em relação ao último levantamento: cinco. São elas: taxa de juros, taxa de inflação, salários reais, gastos públicos e taxa de câmbio.
O estudo pontua as variáveis de zero a 200 pontos, na qual a marcação abaixo de 100 é considerada situação de pessimismo e acima desse valor, otimismo.
A pesquisa foi feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE) juntamente com o Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).
Para o analista econômico da pesquisa, Ricardo Eleutério, “essas pesquisas de expectativa são importantes porque elas capturam esse sentimento e as expectativas tendem a se materializa. Se há um pessimismo quanto ao comportamento das variáveis, os agentes econômicos agem de uma maneira e terminam por influenciar negativamente o consumo ou investimento de outras variáveis”.
Com isso, o Corecon-CE destacou em nota que “as expectativas movem os agentes econômicos impactando, positiva ou negativamente, o comportamento das diversas variáveis econômicas como consumo, investimento, poupança, taxa de juros, dentre outras. Ao mesmo tempo, a performance, positiva ou negativa das variáveis, índices e indicadores econômicos interfere na percepção dos diversos agentes econômicos”.
Variáveis com pessimismo
Sobre as variáveis que causam maior pessimismo dos especialistas, Ricardo explica que a taxa de juros está mais elevada nos últimos anos, dificultando o consumo e o investimento.
A taxa de inflação, segundo ele, está acima da meta nacional, afetando o poder de compra das famílias, traduzido pelos salários reais, o que mostra pessimismo.
Também disse que a elevação da taxa de câmbio acontece devido ao cenário internacional com as tarifas dos Estados Unidos impostas sobre produtos brasileiros, causando instabilidade econômica.
Com as variáveis analisadas, a percepção geral dos economistas registrou elevação de 4,3% no pessimismo em relação à pesquisa anterior, recuando de 89,4 pontos para 85,5 pontos.
Já no comportamento futuro, o estudo revela uma elevação de 9,1% no pessimismo, com retrocesso de 96,3 pontos para 87,6 pontos. E a percepção sobre o desempenho presente teve alta de 1,1% no pessimismo.
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Perspectivas dos economistas cearenses
(Julho-Agosto 2026)
Pessimismo:
Taxa de juros: 87,0
Salários reais: 87,0
Taxa de câmbio: 75,0
Taxa de inflação: 57,5
Gastos públicos: 26,5
Percepções:
Percepção geral: 85,5
Percepção futura: 87,6
Percepção presente: 83,4
Otimismo:
Evolução do PIB: 129,0
Oferta de crédito: 107,5
Cenário internacional: 100
Nível de emprego: 100




