O varejo do Ceará registrou crescimento acima da média nacional em maio, impulsionado por eletrodomésticos e veículos, enquanto representantes do setor alertam para mudanças na composição das vendas e seus reflexos sobre a economia local.
O varejo do Ceará registrou crescimento de 2,6% no volume de vendas em maio, na comparação com o mesmo mês de 2025, desempenho bem acima da média nacional, de 0,4%, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com abril, porém, o comércio cearense recuou 0,2%.
No acumulado de 2026 até maio, o setor avançou 3,9%, mais que o dobro do resultado brasileiro (1,7%). Em 12 meses, a alta chegou a 3,5%, indicando manutenção do ritmo positivo mesmo após oscilações mensais.
Varejo ampliado cearense avança com força maior que a média nacional
O comércio varejista ampliado, que também considera veículos, materiais de construção e atacado de alimentos, cresceu 1,7% frente a abril, enquanto o indicador nacional recuou 0,2%. Na comparação com maio do ano passado, a expansão foi de 2,7%.
Entre as atividades com melhor desempenho no varejo cearense destacaram-se:
- Eletrodomésticos (15,7%),
- Veículos, motocicletas, partes e peças (12,2%),
- Livros e papelarias (11,9%),
- Móveis e eletrodomésticos (8,4%)
- e combustíveis (4,9%).
Já na outra ponta, apresentaram retração segementos varejistas como:
- Materiais de construção (-6,6%),
- Móveis (-2,6%),
- Hipermercados e supermercados (-1,7%),
- Atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo (-1,1%)
- e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,4%).
Representante do setor, Sindilojas vê mudança estrutural no comércio
Na avaliação do presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Fortaleza (Sindilojas Fortaleza), Cid Alves, os números positivos do varejo do Ceará refletem, em parte, fatores conjunturais, como uma quadra chuvosa mais favorável, que impulsionou a atividade econômica no interior e ampliou a circulação de consumidores nas cidades.
O dirigente afirma, porém, que o varejo passa por uma transformação mais profunda.
“O varejo passa por uma transição. A cesta de produtos vendida hoje já não é composta, como no passado, principalmente por mercadorias produzidas no Ceará”, afirma.
Segundo ele, cresce a participação de produtos importados nas vendas, reduzindo o espaço ocupado pela indústria local, especialmente em segmentos tradicionais como o de confecções.
Cid Alves também avalia que essa mudança pode produzir efeitos sobre a geração de empregos e a cadeia produtiva cearense nos próximos anos, caso o movimento continue se intensificando. Para ele, o tema exige acompanhamento das autoridades e políticas que fortaleçam a competitividade da produção local, preservando renda e postos de trabalho no Estado.
Varejo do Ceará entra no segundo semestre com desafio de manter o ritmo
Após um início de ano de crescimento acima da média nacional, o comércio cearense entra no segundo semestre diante do desafio de sustentar esse desempenho em um cenário de consumo mais cauteloso. A evolução da renda das famílias, das condições de crédito e da atividade econômica deve continuar entre os principais fatores para o comportamento das vendas nos próximos meses.
Na avaliação do presidente do Sindilojas, manter o ritmo dependerá não apenas da demanda, mas também do fortalecimento da produção local. Além da capacidade de preservar a competitividade do varejo do Ceará diante das mudanças no perfil das mercadorias comercializadas.
Fonte: https://economicnewsbrasil.com.br/2026/07/17/varejo-ceara-cresce-acima-brasil-maio/




