Prejuízo acaba sendo duplo: do dinheiro transferido para a conta do criminoso na tentativa de “devolver” a transferência indevida e, posteriormente, caso o banco aceite a reclamação do golpista, o valor é retirado da conta da vítima
O golpe do “Pix errado” — fraude que utiliza transferências indevidas seguidas de pedidos falsos de devolução do dinheiro — tem feito brasileiros perderem dinheiro. O crime utiliza o Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta do Banco Central (BC) criada para combater fraudes, mas que vem sendo manipulada para legitimar o roubo e causar prejuízo financeiro às vítimas.
Como funciona o golpe
Segundo Thales Santos, especialista em segurança da informação da ESET Brasil, a fraude se baseia na criação de uma urgência. O criminoso realiza um Pix legítimo para a conta da vítima e, em seguida, entra em contato alegando erro (uma transferência errada). O pedido é para que a devolução seja feita de forma manual para uma chave Pix diferente da conta de origem, e é aqui que mora o perigo.
A ideia dos criminosos é convencer a vítima a agir rapidamente, o que compactua com a intenção que eles querem passar para os bancos de que a vítima é, na verdade, o criminoso da história, já que o dinheiro entra na conta dela e logo é transferido para uma conta terceira.
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Após a vítima realizar essa nova transferência, o golpista aciona o MED junto ao seu banco, alegando que a transação inicial foi fruto de uma fraude ou invasão. Caso a contestação do criminoso seja aceita, o banco retira o valor originalmente enviado da conta da vítima.
O erro que viabiliza o golpe é justamente transferir de forma comum e para uma outra conta, que não a que enviou os valores originalmente.
O prejuízo acaba sendo duplo: do dinheiro transferido para a conta do criminoso na tentativa de “devolver” a transferência indevida e, posteriormente, caso o banco aceite a reclamação do golpista, o valor é retirado da conta da vítima.
E o que fazer?
Caso você receba uma mensagem alegando um Pix errado para sua conta, o procedimento seguro é utilizar exclusivamente a função “Devolver”, disponível no extrato do aplicativo bancário. Essa ferramenta vincula o estorno à transação original, o que comprova a correção do erro perante o sistema bancário e impede que o remetente utilize o MED para alegar fraude posteriormente.
“É necessário que o usuário entenda que qualquer devolução fora dos canais oficiais pode ser interpretada pelo sistema bancário como uma transação voluntária. O cuidado com o procedimento padrão é o que protege a vítima”, diz Santos.
Além disso, usuários devem desconfiar de contatos que envolvam pressão emocional, urgência ou envio de comprovantes de Pix agendado. Registrar o ocorrido junto ao banco e guardar evidências das conversas também são medidas recomendadas em caso de suspeita de fraude.
O que fazer ao cair no golpe?
Caso o usuário já tenha realizado a transferência manual para a chave indicada pelo criminoso, as recomendações do especialista da ESET são:
- Entre em contato imediato com o banco: informe a ocorrência para tentar o bloqueio cautelar via MED;
- Registre um Boletim de Ocorrência: o B.O. ajuda a formalizar que a conta foi utilizada como parte de uma fraude e pode ser importante tanto para análises bancárias quanto para eventuais medidas judiciais;
- Guarde todas as evidências: prints de conversas, comprovantes de transferência, números de telefone e registros de contato podem auxiliar nas investigações e comprovar a dinâmica do golpe;
- Monitore a sua conta nos dias seguintes: a vítima deve acompanhar possíveis bloqueios, estornos ou movimentações incomuns após a fraude e manter contato com o banco caso identifique novas ocorrências.




