A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,4% no trimestre móvel encerrado em outubro de 2025, repetindo o menor nível da série histórica iniciada em 2012. O dado, divulgado nesta sexta-feira (28) pelo IBGE, representa recuo de 0,2 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em junho e queda de 0,7 ponto frente ao mesmo período de 2024. O número de desempregados também atingiu seu menor contingente desde o início da pesquisa, somando 5,9 milhões de pessoas.
O mercado de trabalho manteve-se aquecido, com 102,5 milhões de brasileiros ocupados, patamar recorde, e nível de ocupação de 58,8%. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado alcançou 39,182 milhões, renovando o maior registro da série, enquanto a informalidade permaneceu estável em 37,8%, abaixo dos 38,9% observados um ano antes. A subutilização da força de trabalho também recuou e atingiu 13,9%, o menor nível já registrado pela Pnad Contínua.
Entre os setores, a construção civil e a administração pública puxaram o crescimento da ocupação no trimestre, com altas de 2,6% e 1,3%, respectivamente. Em relação ao ano anterior, destacaram-se os avanços em transporte e armazenagem (3,9%) e em serviços públicos essenciais, como educação e saúde (3,8%). Já serviços domésticos e o grupo de “outros serviços” registraram retração tanto na comparação trimestral quanto anual.
A renda continuou a se fortalecer. A massa de rendimento real bateu recorde ao atingir R$ 357,3 bilhões, crescendo 5% em relação ao mesmo trimestre de 2024. O rendimento médio real habitual também registrou o maior valor da série, impulsionado especialmente pelos ganhos nos setores de informação e serviços financeiros, construção, agropecuária e alojamento e alimentação. Segundo Adriana Beringuy, coordenadora do IBGE, o elevado contingente de trabalhadores ocupados e a estabilidade dos salários têm sustentado os resultados positivos: “A manutenção do emprego em níveis historicamente altos, associada à evolução da renda, tem garantido os recordes observados na massa de rendimentos”, afirmou.
A despeito do cenário positivo, especialistas destacam que o desafio agora é garantir a qualidade dos postos gerados. Embora o emprego formal tenha avançado, uma parcela significativa da população ainda está concentrada em atividades com baixa proteção social e menor produtividade. Para analistas, a consolidação dessa melhora passa por políticas de qualificação profissional, incentivo à inovação e fortalecimento das cadeias produtivas que sustentam setores estratégicos, como tecnologia, logística e serviços especializados, áreas que têm mostrado maior capacidade de gerar empregos formais e de melhor remuneração.
Outro ponto observado pelos economistas é o impacto desse movimento sobre o consumo das famílias e, consequentemente, sobre a economia como um todo. Com mais pessoas empregadas e renda em alta, setores como comércio, alimentação e serviços tendem a manter ritmo favorável nos próximos meses. Entretanto, a continuidade dessa trajetória depende também de fatores macroeconômicos, como o comportamento da inflação, a política monetária e o ambiente fiscal. Ainda assim, o conjunto de indicadores divulgados pelo IBGE reforça a percepção de que o mercado de trabalho brasileiro vive um ciclo consistente de recuperação e expansão, consolidando-se como um dos principais motores do desempenho econômico recente.




