De janeiro a agosto, a procura por renegociações no Brasil também cresceu aproximadamente 17%
A inadimplência evoluiu em mais de 2,6 milhões de endividados nos oito primeiros meses de 2026. Os dados são da pesquisa Mapa da Inadimplência e Renegociações de Dívidas da Serasa, que avalia mensalmente os cenários de endividamento no Brasil.
De acordo com o estudo, de janeiro a agosto, o total de pessoas com algum tipo de dívida ficou em patamares acima de 81 milhões, sendo 83,9 mi, em agosto, representando uma média de mais de 51% da população economicamente ativa. São mais de R$ 592 bilhões em dívidas, distribuídos em 350 milhões de contas a pagar e um valor médio por pessoa de pouco mais de R$ 7 mil.
Em agosto deste ano, as principais dívidas por segmento estavam distribuídas entre bancos/cartões de crédito, com 27,3%, seguidos das chamadas utilities ou contas básicas (água, luz e gás), com 20,7%, dos compromissos financeiros (20,1%) e dos gastos com gastos com serviços (11,5%).
Entre as regiões, o Centro-Oeste apresentou o maior nível médio de endividamento com 56,19%, depois vieram o Norte (55%), Sudeste (51,81%), Nordeste (47,37%) e o Sul (44,94%).
No Nordeste, o Ceará se destacou com o maior nível de pessoas endividadas com 52,59%, seguido de perto pelo Rio Grande do Norte, com 52,28% e Pernambuco, com 50,91%. Os demais nordestinos apresentaram índices abaixo da média nacional.
Os dados do Serasa mostram que, em um ano, todos os índices vinculados ao endividamento aumentaram no Ceará. Em agosto de 2025, o estado tinha 3.645.164 de cearenses com dívidas, enquanto em agosto de 2026, esse total é de 3.731.910. O acumulado de dívidas no mesmo período do ano passado era de 13,4 milhões contra 14,5 mi, neste ano. O montante geral também acompanhou o crescimento saindo de R$ 17,7 bilhões, em 2025, para mais de R$ 19,5 bilhões em compromissos atrasados. As mulheres são as mais afetadas pelo quadro de endividamento no estado com uma média de 53% na comparação entre os dois períodos.
Renegociações
Apesar do cenário de endividamento, a pesquisa do Serasa mostrou um aumento na procura por negociações. O levantamento mostrou que, entre janeiro e agosto deste ano, o número de brasileiros que buscaram algum tipo de acordo cresceu aproximadamente 17%, sendo que os maiores índices foram registrados em março (5,8 milhões), maio (5,2 mi) e junho (5,2 mi).
Em agosto, o montante atingiu mais 4,7 milhões de acordo fechados via Serasa Limpa Nome, que envolveram 2,8 milhões de consumidores com valores médios de R$ 741. Ainda segundo a entidade, mais de R$ 11,8 bilhões foram concedidos em descontos.
Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Fortaleza (Sindilojas), Cid Alves, esse cenário é positivo, principalmente porque as expectativas quanto ao final do ano aumentam, e facilita para que os consumidores acessem o mercado de consumo. “Nas nossas lojas, o mercado de trabalho também aumenta, porque com o crescimento do consumo, há geração de empregos, como ocorre em todas as épocas natalinas de todos os anos, então a gente vê como positiva a informação”, disse.
Ele lembrou ainda que a redução da taxa selic pode contribuir para o crescimento do país. “Um dos pontos mais positivos que eu vejo de todos é a redução da selic. Isso aí é fundamental para que o Brasil volte a crescer. A redução é muito pequena, não representa nem 10%. A gente espera que isso (a queda da taxa), como o componente mais importante para que o dinheiro volte a circular de forma benéfica a todos, aconteça o quanto antes”, observou o presidente.




