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Atividade econômica no país já mostra sinais de recuperação, analisa mercado

Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) dos meses de maio, junho e julho revela que retomada do crescimento deve ser lenta, mas gradual nos próximos meses. Ceará leva vantagem devido ao equilíbrio fiscal.

Com três meses seguidos de crescimento, a atividade econômica já mostra sinais de recuperação. Se março e abril foram os meses de maior impacto negativo devido ao isolamento social mais rigoroso, nos três meses seguintes o país começou a tomar fôlego, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), apresentado ontem. Em julho, o indicador mostrou expansão de 2,15%, enquanto em maio e junho o índice foi de 1,86% e 5,32%, respectivamente. Para especialistas, o retorno das atividades presenciais, do consumo motivado pelo auxílio emergencial e algumas mudanças de comportamento e prioridade na aplicação de investimentos motivaram a alta nos dados, que devem continuar crescentes até novembro. No Ceará, o cenário é ainda mais positivo do que o contexto nacional, devido ao equilíbrio nas contas públicas.

Embora os índices deste ano estejam melhorando, a comparação com o mesmo período do ano passado revela que a recuperação é lenta e deve permanecer assim até o fim do ano. O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica brasileira e ajuda o Banco Central a tomar decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. O principal indicador de desempenho da economia, contudo, é o Produto Interno Bruto (PIB). No início da pandemia, as projeções apontavam para uma queda de 8% a 9% devido aos impactos na paralisação temporária do setor produtivo e da retração no consumo. Entretanto, para o mercado financeiro, o PIB deve registrar queda de 5,11%.

O cenário, portanto, é promissor, na avaliação de representantes de entidades econômicas. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), Ricardo Coimbra, é preciso reforçar que a pandemia ainda persiste e que, por isso, o processo de recuperação será lento pelos próximos meses. A tendência, segundo ele, é de restabelecimento gradual em perspectiva de U (crescimento continua no ponto mais baixo por alguns meses até começar a se reerguer), não de V (retomada tão rápida quanto a queda), como chegou a ser cogitado.

“Ao longo dos próximos meses, de agosto até novembro, vamos observar que o crescimento em relação aos meses anteriores vai ser significativo. Mas, em relação ao ciclo do ano passado, vai estar ainda bastante defasado. Isso mostra o que se imaginada antes: não conseguimos mais visualizar queda de 8% a 9% do PIB. O próprio cenário gerou incerteza, o dólar aumentou, estimulou a produção do setor agrícola, que se destacou e cresceu muito nas exportações. Mesmo tendo um peso menor, contribuiu de forma efetiva nesse processo”, analisa Coimbra.

Quando se trata de nível de renda, o presidente do Corecon afirma que o auxílio emergencial de R$ 600 por mês foi fundamental para manter o consumo durante a pandemia. “A medida criou artificialmente um mecanismo de manutenção da atividade econômica. Tanto que a prorrogação deve manter e ajudar no processo de recuperação, mas com um outro cenário. As empresas vão voltar a contratar profissionais, vai deixar de ter o movimento artificial, mas haverá um crescimento de consumo real, com as pessoas voltando ao mercado de trabalho e passando a consumir”, projeta, acrescentando que, nesse contexto, muitas empresas só retomarão a atividade produtiva devido à cessão de crédito e às medidas de pagamento de parte do salário pelo governo e de suspensão de contrato.

Para Ricardo Coimbra, outros impactos como alta do câmbio e sua influência sobre a alta nas exportações e o baixo nível de inflação também devem influenciar na melhora dos indicadores. Na visão do economista, a perda de controle no preço de alguns produtos é provocado também pela alta nas exportações e consequente diminuição da oferta no mercado interno. Ele se refere ao arroz, feijão e soja, que puxaram, em agosto, alta na inflação.

Ceará tem tendência a acelerar recuperação

A economia cearense deve manter o nível de recuperação nacional, mas com tendência maior à aceleração por conta de uma vantagem. O equilíbrio nas contas públicas, na visão do presidente do Corecon, está fazendo diferença nesse momento. Ele frisa que não se trata de medida de gestão política, mas de política pública que se mantém há várias gestões, independente de partido político. “O modelo testado aqui é parecido com outros países e com o que aconteceu após a gripe espanhola em alguns países. Contração muito grande no primeiro momento, isolamento forte, mais do que em outros locais que tentaram conviver com a doença sem afetar tanto a economia. No final, quem não segurou no início acaba tendo dificuldade no processo de recuperação, que é mais lento”, compara. Além do equilíbrio fiscal, Ricardo Coimbra aponta que medidas para reduzir tributos e postergar pagamentos de impostos só foram possíveis, mesmo com a queda de mais de R$ 1 bilhão na arrecadação, porque o Estado estava equilibrado financeiramente, especialmente com o funcionalismo público.

O IBC-Br incorpora informações sobre nível de atividade dos três setores da economia: indústria, comércio e serviços e agropecuária, além do volume de impostos. Em março, início da pandemia e dos protocolos de isolamento, o IBC-Br caiu 5,89%. A pior queda foi registrada em abril, de 9,37%. Em relação a julho do ano passado 2019, houve queda de 4,89%. Em 12 meses encerrados em julho, o indicador teve retração de 2,90%, enquanto no ano o IBC-Br registrou queda de 5,77%.

Fonte: https://ootimista.com.br/jornal-impresso/atividade-economica-no-pais-ja-mostra-sinais-de-recuperacao-analisa-mercado/

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